Dança experimental encerra programação recifense do Cena 07/11/2015
Uma ótima oportunidade para quem gosta do universo artístico da dança ocorreu na tarde de ontem dentro do Teatro Marco Camarotti. O Cena Cumplicidades trouxe, de forma gratuita para o público, a apresentação da Cia Corpos Nômades seguida do ensaio aberto do grupo Cláudio Lacerda/Dança Amorfa.
As apresentações iniciaram às 16h com o espetáculo O Especulador de Olhos Invisíveis de Carne, criado a partir do resultado do Lab de criação “Corpo - Um Lug@r Nômade” e dirigido pelo coreógrafo João Andreazzi. Com três bailarinos em cena, a peça trabalhou uma mistura entre dança e texto, embasando-se na obra O Despovoador, de Samuel Beckett.
A conexão dos artistas com o cenário foi algo intenso durante todo momento e a projeção do audiovisual na ambientação do palco completou o sentido da peça que se ocupou da inércia seguida pela ressignificação dos corpos.
A segunda companhia subiu ao palco mais ou menos uma hora depois e trouxe um ensaio aberto baseado num projeto de pesquisa que trabalha a relação entre dança e arquitetura, chamado Dança Contraespaço. O projeto dá ênfase às formas arquitetônicas construídas por Zaha Hadid e busca refletir como essas formas, enquanto força, podem reverberar nos corpos dos bailarinos. Para trabalhar esse pensamento, os cinco artistas no palco enfatizaram em seus movimentos a fluidez das formas e a ligação entre os passos em conjunto, onde um bailarino sente a expressão do corpo do outro.
Terminado o ensaio, o grupo abriu espaço para perguntas e propostas da plateia. Alguns dos questionamentos feitos estavam ligados à concepção do projeto e Cláudio (coreógrafo responsável pelo grupo) disse que o objetivo do daquela forma de trabalhar a dança é criar algo novo dentro de um espaço já existente, daí a opção pelo nome Contraespaço.
Com essas duas apresentações encerrou-se a programação do Cena Cumplicidades em Recife, mas o Festival ainda segue com força total no final de semana, dias 07 e 08 de novembro, nas ladeiras e sítio histórico de Olinda.
Bárbara Valdez