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La Wagner é violento e visualmente bem construído 05/11/2015

Submissão feminina. Objetificação sexual. Contestação à violência. É em torno desses temas que se constrói a peça La Wagner, apresentada ontem à noite no Teatro Luiz Mendonça – Parque Dona Lindu. Em cena, quatro bailarinas expõem no palco seus corpos nus ao mesmo tempo em que tentam transmitir a agressividade da exploração feminina, onde muitas vezes a mulher é vista apenas enquanto corpo para ser utilizado.

O espetáculo tem uma estética visual primorosa, a qual consegue trabalhar sutileza, violência e desamparo apenas por meio da iluminação e da névoa de fumaça incidentes sobre os corpos das bailarinas. Isso é um dos pontos chaves para a forte carga teatral presente na peça, na qual as artistas dividem-se no palco para compor múltiplas cenas simultâneas. Durante a apresentação, elas construíram cenários inteiros utilizando apenas a iluminação, quatro cadeiras e a si mesmas como composição.

Em alguns momentos da peça, as cenas expostas eram delicadas, como na bela entrada das bailarinas em direção ao palco e na finalização do espetáculo. Contudo na maior parte da apresentação existiram cenas intensas com forte conteúdo de agressão, onde o coreógrafo Pablo Rotemberg optou por enfatizar situações específicas, deixando isso bem delimitado com o uso de movimentos sequencialmente repetidos.

A trilha sonora também foi essencial para a imersão da plateia no contexto do espetáculo. Criado sob a base musical do compositor Richard Wagner, o som sustenta a narrativa e lhe dá o tom de ópera trágica e violenta. Adriana, que estava na plateia, disse que a peça foi intensa e mostrou a verdade de maneira crua. “Só respirei agora”, disse a mesma quando saiu do teatro.

O ator Wagner Montenegro, que trabalha na peça Las Mariposas (a qual aborda a temática da violência contra a mulher e foi exibida no dia 30/10, dentro da programação do Festival), também estava na plateia. Em entrevista, ele disse que a exposição da brutalidade em La Wagner “é um grito muito grande, desde o primeiro momento [...] é algo que me tocou muito enquanto público e enquanto artista”.

A encenação foi impetuosa e direta em sua mensagem e, com o fim do espetáculo, deixou em grande parte da plateia um contato verossímil com as fortes agressões sofridas regularmente por uma infinidade de mulheres em várias partes do mundo.


Bárbara Valdez

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