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Souffle de Corps exalta o corpo com intensidade 04/11/2015

O público que lotou o Teatro Marco Camarotti na noite de ontem assistiu a uma apresentação que enfatizou o corpo enquanto base e refúgio da vida humana. Souffle de Corps ou Explosão de Corpos apresentou dois artistas africanos em cena, Karim Konaté como dançarino solo e Abou Konaté como o musicista em constante ligação com os movimentos do dançarino.

A apresentação mostrou uma intensa força corporal e, acima de tudo, as expressões faciais do bailarino foram marcantes a todo o momento, fazendo a plateia perceber, por meio delas, sentimentos de alegria, dor, medo, deslumbramento e uma série de outras conexões que o corpo cria com a vida.

Nos movimentos expostos percebia-se o universo da cultura africana e a música foi tocada ao vivo, alternando entre cinco instrumentos diferentes. Essa ligação entre música e dança é algo que Karim explicou, durante entrevista, como sendo indissociáveis. Ele disse que a música tocada no momento era uma maneira dele absorver energia e transmitir ao público e de retransmitir ao musicista as sensações da plateia. Abou expressou que é por isso que a música está ali, para se colocar em função do outro.

Uma das pessoas que conseguiram captar essa sinergia foi a espectadora Diana Fontes que percebeu um sentimento em cada instrumento tocado e sentiu que a partir disso o corpo do dançarino evoluía em verdade. Outro espectador presente foi o bailarino Arthur Bernard, que se apresentará no Cena Cumplicidades com a peça Je te Haime, na próxima quinta-feira. Em entrevista, Arthur destacou que o espetáculo foi “muí poderoso, mucha entrega, pasión, ganas” e para ele isso foi a essência da dança.

Com o fim da montagem, percebe-se que Souffle de Corps contou com uma grande força de expressão, tanto na música como na dança, e com o carisma de seus artistas, que fizeram questão de agradecer em português o público que aplaudia praticamente todo de pé a apresentação.


Bárbara Valdez

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