Sensibilidade e humanismo permeiam a peça N(own)ow 02/11/2015
Na noite de ontem, o Teatro de Santa Isabel serviu de palco para a apresentação de cinco homens que buscaram através da dança e do teatro expressar as interações sociais existentes entre o sexo masculino. Com essa posposta, o pequeno grupo sob os holofotes ampliou-se para uma infinidade de homens em cada parte do mundo.
Durante 1h, a peça descarregou na plateia uma variedade de comportamentos e emoções que se desenvolvem na relação do homem com o outro e também consigo mesmo. Assim, os movimentos dos artistas remeteram ao companheirismo, opressão, liderança, medo, reconhecimento corporal, objetificação e uma série de outras questões que vão além do masculino e abrangem o cotidiano íntimo e social humano.
Pela variedade de emoções, a coreografia foi marcada por passos e movimentos que iam da delicadeza, passavam pela comédia até chegarem a momentos mais dramáticos e vigorosos. Essa intensidade capturou a atenção de grande parte da plateia, a exemplo de Iezo, que achou incrível a peça e foi um dos primeiros a aplaudir de pé o fim da apresentação. Outras pessoas tiveram estranheza com o espetáculo, pois alguns momentos do mesmo possuem certo nível de nudez e isso ainda causa uma ideia negativa em parte da sociedade.
O nu apresentado em N(own)ow, no entanto, está ali com um sentido político e social. O coreógrafo sul-coreano Hyoseung Ye busca com isso representar a descoberta do homem em seu próprio corpo, a perca do medo de expor-se em aspectos físicos tidos como apenas femininos e trabalhar o contato entre corpos no sentido de unidade e interdependência.
No final da apresentação, os bailarinos conseguiram transmitir reflexões a cerca do masculino, porém mais do que isso, questões sobre o homem enquanto ser. Ruana, que estava na plateia, achou que a peça foi “muito humana. Uma mistura do reconhecimento do corpo, reconhecimento da vida, do espaço, do outro”. E é isso que se pode captar do espetáculo, uma narrativa sobre a humanidade e suas relações.
Bárbara Valdez