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ApersonA inova a forma de conectar corpo e música 01/11/2015

O modo como um bailarino consegue sentir a música que atravessa seu corpo tem um caráter pessoal e foi tendo isso como premissa que se estruturou o espetáculo ApersonA, apresentado ontem no Teatro Marco Camarotti. Os dançarinos Ioannis Mandafounis e Elena Giannotti trouxeram para o público uma interpretação artística onde os movimentos não surgiam como resultado de uma música exterior, mas como reflexo da musicalidade interna dos dois.

Durante a apresentação, que foi das 20h às 21h, a plateia praticamente não escutou nenhuma nota musical entre “dó” e “si”, mesmo assim a música estava lá. Como Ioannis falou em entrevista, os movimentos desenvolvidos pelos corpos eram a música da peça. Para escutar essa cadência foi preciso que o teatro ficasse em silêncio quase absoluto, o que resultou numa autoconsciência sobre cada movimento exposto.

O domínio corporal e a concentração dos bailarinos eram impressionantes e Ioannis explicou que, com exceção de um único momento, todos os passos restantes são improvisados durante a atuação, surgindo como consequência das sensações de ambos os dançarinos. Essa conexão interna e entre corpos respalda-se na experiência. Elena já trabalhou em diversas companhias pelo mundo e Ioannis ganhou este ano um dos prêmios mais importantes da Suíça, o Outstanding Male Dancer.

ApersonA provoca as pessoas a descobrirem uma nova maneira de ouvir, interpretando um diálogo entre duas pessoas que trazem suas consciências internas para o exterior através de uma narrativa de expressão corporal. Afinal, o corpo é algo intrínseco e externo ao mesmo tempo, um papel representado e um eu identitário. Foi esse corpo que a peça enfatizou através da dança e do teatro durante sua passagem pelo Cena Cumplicidades.


Bárbara Valdez

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